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Friday, July 13, 2007
como nos velhos dias de inverno
a árdua tarefa de tentar esquecer quem você não quer esquecer, contra a fácil tarefa de ser esquecido. nesse momento vem à mente de quando falou sobre os ciclos em que você fica girando entorno. lembra que a estação muda, as velhas memórias ressurgem, novas pessoas se vão, as antigas ficam e tudo segue sob o controle. só não de suas mãos.
o destino se mantém incontrolável... mesmo que se repetindo: - Numa cidade onde cada pessoa pode ser um porto seguro ou talvez um naufrágio, é provável que, todos os encontros e desencontros sejam culpa do revolto destino que nós tentamos dominar. E tudo o que eu posso ter são memórias de amores perdidos.- suas próprias palavras te perseguem. você continua acendendo fogueiras na frente de pessoas que sabe... bem ou mal em pouco tempo irão apaga-las. talvez seja na esperança de que algum dia se torne um incêndio, mas até lá o aquecimento global já derreteu todas as calotas polares e você nem vai estar mais aqui.

Sunday, July 08, 2007
a arte de se jogar no abismo todos os dias OU você sempre se fode por causa das expectativas
4:25 de sábado e você pára pra pensar porque é suscetível a uma babilônica carga de mudanças e como é tão fácil bagunçar a casa. talvez você não saiba o tamanho dessas paredes que te cercam ou simplesmente você acreditou que em se esquecendo poderia se libertar. mas sabe que isso não vai te levar a lugar algum, a não ser se perder dentro de si mesmo. com o tempo escoando pelo ralo, o passado preso na garganta e o presente em pedaços, você sente o futuro esfarelar nas suas mãos. você se sente arremessando sua sorte a cada movimento. assim, quanto mais longe ela vai, mais fundo você cai.
é a arte de se jogar no abismo todos os dias. é... você não consegue explicar, mas se destrói pensando nisso. chega no ciclo e gira entorno dele. denovo e denovo e denovo. você tenta o silêncio pra deixar as palavras fugirem, só que ao mesmo tempo em que o que está dentro define o que está fora, num movimento de retroação, o que está fora define o que está dentro e elas retornam violentamente. então, novamente você se vê cansado de todas as expectativas que cria e destrói antes de saber a resposta. tudo o que queria era um controle mínimo dos seus desejos, porém eles se misturam com pensamentos aleatórios que gritam mais alto do que a construção do prédio em frente ao seu quarto. você sabe que não pode ter tudo e mesmo assim segue tentando - no mesmo ritmo sobe-e-desce-vai-e-vem de todos os dias de um mundo, onde os valores se tornaram números frios e todas as suas lembranças ficam guardadas em nuvens vagabundas que se desmancham num simples assobio. pode ser que algum dia você veja cada fim como um novo começo. e cada perda como um encontro. que da dúvida aparece a certeza. que dos sonhos se mostra o real e dos delírios uma razão. pode ser que você perceba que tudo dura pouco e então, glorifique as pequenas tentativas e as pequenas conquistas. que numa vida onde o que vale é tudo ou nada e todas as apostas são altas, um simples ato de pedalar pode ser sagrado.
Wednesday, June 20, 2007
Quem carrega minhas lembranças são essas nuvens vagabundas...
Saturday, March 24, 2007
Nessas horas em que a mente está cheia e sente-se uma pressão na nuca, nessas horas em que os pensamentos são como faíscas e as palavras brotam mais rápido do que você possa compreende-las, nessas horas... nessas horas é que a intensidade do momento pode nos permitir botar tudo em uma folha de papel ou talvez somente criarmos mais perguntas para as nossas incertezas e ficarmos perdidos. A rapidez dos momentos mostra a nossa capacidade de vive-los, às vezes o que foi devagar para mim, pode ter sido muito ligeiro para você. E muitas vezes quanto mais rápido tudo passa, menos entendemos o que há para ser descoberto, o que há para ser aproveitado. O último toque é dado pelo esquecimento e só sobrará o que a memória me emprestar quando esses dias se forem. Então, antes que tudo se vá, me conte, como é a sensação de sabermos que aquilo que mais queremos vai dar certo? Longe de mim poder lembrar dela. Porém, nesses momentos que ninguém percebe, é que se alimenta a secreta linha axial do nosso destino. As falhas, as rachaduras, podem se fechar ou até cair no esquecimento; mas por dentro continuará ardendo e incomodando. Pelos becos escuros e pelas grandes avenidas, a minha voz vai atrás do que minhas mãos já não podem alcançar e onde eu estou é onde você sempre poderá me encontrar; no limite de tudo. Onde todas as cores podem vir a brilhar intensamente e onde só o que há é o agora. Todas as ruas têm o mesmo nome, todas se chamam Tédio. Numa cidade onde cada pessoa pode ser um porto seguro ou talvez um naufrágio, é provável que, todos os encontros e desencontros sejam culpa do revolto destino que nós tentamos dominar. E tudo o que eu posso ter são memórias de amores perdidos. Eu posso percorrer a avenida da Revolta e desaguar na esquina do Fracasso. Correr até o beco da Desolação e me perder no morro do Coração. Posso pedalar pelas ruas da contradição, navegar pelos mares da memória, e caminhar pelo fogo do esquecimento. Ou talvez correr das horas e recortar os segundos. Refogar os pensamentos ou incendiar as palavras. Mas é no momento presente em que merealizo, é no movimento do cotidiano em que me permito caminhar em direção ao cadafalso e sentir o gosto dos dias, sentir as saudades me pressionando contra a sólida parede do passado. Em um mundo invertido, a verdade é um momento do que é falso. Então, o sentimento se esvai, a palavra é gasta e o discurso intoxicado. Por um milésimo não há sentido a mudança e não há diálogo senão a violência em doses pequenas. O dinheiro nunca vai medir o valor das nossas vontades e um centímetro nunca irá medir o tamanho de nossas angústias. O passado se prolonga como destruição do passado e a pergunta que permanece é aquela que questiona sobre o que restou. Onde tudo se tornou tão em vão e todo mundo me pergunta por que eu me tornei tão amargo.
Final do verão de 2007
Wednesday, November 29, 2006
rápidas anotações a respeito da necessidade de uma análise crítica sobre as cidades
A primeira coisa que me veio à mente foi de escrever algo com as idéias que eu tinha sobre o funcionamento das cidades, das suas relações, de como elas nos afetam emocionalmente e como isso se reflete no cotidiano. Eu acredito intensamente que, para se entender como vivemos, é imprescindível compreender como nos relacionamos com a cidade e com a política do dia-a-dia da vida. Entendermos como ela funciona e seus aspectos mais subjetivos - as entrelinhas, os segredos. Todo segredo é explosivo e se intensifica em seu próprio calor interno. A cidade é um emaranhando de lugares e espaços que despertam lembranças, desejos, significados, segredos. A paixão pelos segredos urge quando se percebe um imenso mapa em nossas mentes sobre cada lugar, cada esquina, cada rua que passamos, que vivemos. É quando tudo indica tudo e uma avenida não é apenas uma avenida e sim uma combinação de histórias e relações secretas, de idéias e espaços que nos moldam através do tempo. É quando os olhos não enxergam mais a forma dos objetos e espaços, mas sim figuras deles, que acabam por dar novos significados aos mesmos. Figuras em que cada lugar tem uma função e raramente pensamos nela. Por que os lugares são como são e quem se beneficia deles? Qual o verdadeiro motivo da construção de grandes e largas avenidas e da destruição dos becos? A cidade, como os sonhos, é feita por desejos e medos. Sua imagem é enganosa. Suas regras, absurdas. Seu discurso, um mistério. Seu passado não nos é contado, ela o tem como traços do rosto, escrito nas curvas das vielas, nas ruas sem-saída, em cada entalhe, em cada desgaste. Ela é feita de infinitas dicotomias. Podemos dividi-la em duas ao perceber que com o passar dos anos e de suas mutações ela continua a moldar os desejos e ao mesmo tempo os desejos conseguem molda-la. Ou ainda geograficamente, com a grande divisão entre asfalto e morro. A cidade é um jogo ambíguo, onde somos jogadores e jogadoras e, ao mesmo tempo, peças. A sobreposição das histórias e mitos de um lugar é uma das conseqüências da coexistência de papéis entre os personagens do cotidiano e isso inclui eu e você. Que em cada momento do dia podemos representar um papel diferente com uma história diferente, sendo vários em um corpo só. O olhar corre os labirintos como se fossem páginas escritas – a cidade nos diz tudo o que devemos pensar e repetimos inconscientemente o discurso que nos enche de tédio. Ela em si é redundante, se repete para formar uma imagem. Nossa memória também é redundante, repete as imagens para que a cidade exista. Quase todo dia fazemos o mesmo trajeto de deslocamento dentro da região em que (sobre)vivemos e nunca caímos em nós e nos perguntamos por que diabos caminhamos pelas mesmas ruas e fazemos sempre os mesmos atalhos ou paramos sempre em tal e tal lugar. Ou nunca paramos para notar como uma repentina mudança de ambiente numa mesma rua influencia a nossa mudança de trajeto ou como o caráter inconsciente de atração ou repulsão de certos espaços realmente existe. A idéia da produção de um mapa de sensações da cidade ou região em que moramos convém com a idéia de compreender onde vivemos, nossos próprios desejos e pode fazer parte da difícil tarefa de dar sentido à vida. Historicamente toda forma de urbanização vem com o intuito de manter a ordem naquela região. A cidade, então, se torna um meio de regulação social, um instrumento de opressão, tanto física como psicológica e também emocional. O urbanismo aparece como uma política de organização do espaço-tempo a qual não leva em consideração as vontades das pessoas, sua implementação é imposta sempre por um grupo que atua em benefício daqueles que detém o Poder na hierarquia social econômica da cidade. Assim, é impossível a libertação total das pessoas sem que elas possam participar do processo de destruição e construção do local onde elas vivem. A idéia da participação efetiva das pessoas em todas as esferas da vida cotidiana está conectada com a idéia de emancipação total delas. Onde o interesse público se sobressai perante o interesse privado e onde elas têm poder para guiar seus próprios destinos. Yuri Gama Inverno de 2006.
Obs: Artigo escrito para o zine Mau Humor de Joinville.

Tuesday, October 24, 2006
pro inferno com o exclarecimento
o dinheiro não mede o valor das nossas vontades. um centímetro não mede o tamanho das nossas angústias. precisamos de novos instrumentos para tirar novas medidas.
num mundo invertido a verdade é um momento falso. o sentimento se esvai e a vida corre. a palavra gasta, o discurso intoxicado. não há sentido a mudança. não há diálogo senão a violência em pequenas doses.
Sunday, September 03, 2006
nem que eu me perca entre as palavras
aqui sinto os dias correrem como cavalos selvagens e o meu tempo é medido por fatos. acabo me esquecendo dos números das horas e no ônibus tudo o que penso é mais alto do que qualquer barulho lá fora. eu continuo me questionando de onde vem todos esses furiosos sentimentos, onde se escondem todos os meus pensamentos. mas é um imenso mar revolto que a torto escreve bem claro - incerto. foi de onde eu vim e é para onde eu vou.
me sinto como um barco sem uma âncora ou um sem um porto. sem um refúgio, sem chão. alguns dizem que esse é o novo mal-do-século, outros não dizem nada. eu acabo ficando com a primeira opção. fui deixado para vagar, nem que sejam só meus pensamentos, que já é muito. todas as minhas perguntas se confundem e todas as minhas respostas soam iguais. não me questiono se terei um belo passado pela frente ou se tudo será em vão. o que eu sei é que quero poder contar a história do meu jeito, nem que eu me perca entre as palavras.
Friday, August 25, 2006
o inverno veio destruidor. na última segunda-feira ensolarada voltei de uma viagem de 15 horas de ônibus, pus meus pés fora e senti o vento gelado que parecia perfurar minha carne, meus ossos. foi bruto. passei dois dias seguidos sentindo aquele frio. minhas mãos não se aqueciam, muito menos meus pés. fui pra guararema, estado de são paulo, fica há uns 90km da capital. eu recortei alguns pensamentos e colei num caderno meu durante esses dias. mas eu digo que é muito louco quando permito que eles voem tão assim sem rumo. é como quando se nota a fluidez e harmonia distorcida de um trumpete. tudo parece tão orgânico e delirante.
eu queria ter uma caixa cheia de compartimentos onde eu pudesse guardar toda a minha angústia, meus problemas e toda a minha esperança - se é que resta alguma. talvez lá no fundo, onde tudo é muito mais denso e complicado.
Thursday, July 20, 2006
porque por dentro tudo é mais confuso
mesmo em meus piores momentos posso sentir suas palavras dentro de mim. ficando prontas, ficando quentes. eu tenho um mapa do seu corpo na minha mente. uma cartografia amadora. pouco tempo, muitas lembranças - dos seus olhos e dos seus lábios. de todos os nossos copos de café e de todas as nossas risadas. não vejo o fim da partida, não mesmo. o tempo é brutalmente lerdo e destruidor e mesmo assim espero que tudo esteja bem no jogo. porque agora eu estou enxergando um pouco embaçado e cinza ao lembrar que estou longe de você. sempre tão longe de onde nossas vontades gostariam de estar, partimos momentos e a nós mesmos. você sabe muito bem que eu me encontro perdido nas palavras, nos seus braços. abrace o que vivemos com muito carinho, porque por dentro tudo é mais confuso e quanto mais a noite cai, mais eu caio junto.
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Nome: Y. Local: Florianópolis escreve pra poder esquecer Outros Blogs- Projeto PRETEXTO: http://projetopretexto.wordpress.com - Amansa Louco: http://amansalouco.blogspot.com/ - Vivo na Cidade: http://www.vivonacidade.blogspot.com/ - Rat Music For Rat People: http://marginalcomclasse.blogspot.com/ - Cameragun (Daigo Oliva Fotos): http://flickr.com/photos/daigooliva/ - Mateus Mondini Fotos: http://flickr.com/photos/mateuspatche - Movimento Passe Livre Floripa: http://mplfloripa.blogspot.com - GAFe Floripa: http://www.gafeminista.blogspot.com/ - Petit Volcan: http://petitvolcan.blogspot.com/ - Kadj Oman: http://manihot.wordpress.com/ Coisas minhas - Fotografias: http://flickr.com/photos/desvio - Música: http://www.lastfm.com.br/user/yuridesvio Outras páginasCentro de Mídia Independente: www.midiaindependente.org Contato: perturbatio@hotmail.com
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