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Talvez possa ser por essa frase que eu deva começar, pela conclusão de que tudo o que passou até aqui, até agora, esse momento, foi muito e eu não parei pra sentir que foi esse montante de verdade, mas isso é porque nunca dizem nada pra você a não ser que seja para discordar e você nunca para pra pensar no que faz. É isso aí, mesmo. Dizem pra se afastar porque você é um louco ou por causa dessa sua cara feia. Pois lhe digo que tenho uma cara feia, mas sei muito bem que ela é uma cara expressiva, uma cara viva. Aprender a conviver na solidão é quase como mágica, quase como você transformar no seu dia-a-dia a água em vinho. Mas tudo o que passou foi pouco para o que eu quero. Todas as milhas percorridas, todas as ruas pisadas, todas as poucas vidas abraçadas, todos os livros devorados, as palavras escritas, o que eu perdi, o que eu ganhei, as cidades que passei, impreterivelmente já não me preenchem mais. Eu já não consumo direito o meu passado e as memórias me impulsionam para a criação de um novo passado. Percebo que pertenço a todos os lugares, pois a todos os lugares não farei falta. Sei que todo lugar tem seu céu, e o melhor céu é sempre aquele em que eu me encontro no presente momento, mas a mudança de ares se torna necessário se você sabe que já está esgotado.
Estar só revela o tédio, mas não diminui a paixão, você acaba sendo mais forte do que isso ao olhar pra trás, consegue perceber que tende de uma maneira ou outra, a ser mais forte do que suas incontroláveis emoções que surgem pra te derrubar. Ao mesmo tempo quando olha para o agora sente que muitas vezes se desarma e perde o controle do navio, vê que o provável é que isso seja culpa do tempo ou da falta dele, eu mesma não sei. É culpa das incertezas que o futuro guarda hermeticamente fechadas e cozinhando em fogo baixo, culpa de se esquecer de você mesma, esquecer das suas vontades e loucuras. Convive no limiar entre a intensidade dos delírios e a meticulosidade dos cálculos organizativos, agora decide navegar em alto mar e trabalhar com uma opção de futuro, uma opção fragmentada de saber lidar com expectativas e oportunidades, talvez assim eu não enlouqueça aterrorizadamente e a opção de escrever mais uma página na História surja concretamente como uma hipótese. A única certeza que tenho é da existência de possibilidades, até da possibilidade do impossível. Mas senão tentar, nem o fracasso eu consigo.
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| ori August 14, 2008 12:22 PM PDT e viva o reino da utopia, de onde somos praticamente escravos | ||
| juliana m. September 4, 2008 09:42 PM PDT senti empatia de aflições e adorei o texto quase sem respiro. e agradeço a visita para poder descobrir seus escritos. :) | ||
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